Envelhecimento da Europa abre vagas para brasileiros na saúde
Espanha flexibiliza leis para atrair mão de obra em setores carentes
Por Viviane Oliveira António | 24 de julho de 2026 | Braga, Portugal
A Europa está ficando mais velha e precisa de cuidados. Países como a Espanha enfrentam um déficit de trabalhadores em setores como saúde, geriatria e construção civil. A baixa natalidade e a falta de mão de obra impulsionam a abertura para imigrantes, ampliando oportunidades de trabalho formal. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o envelhecimento populacional deverá conduzir a uma escassez significativa de mão de obra até 2060. Na Europa, estima-se que, em 2050, uma em cada três pessoas terá 60 anos ou mais.
Para resolver o problema, o governo espanhol reduziu os prazos de permanência mínima para regularização através das figuras de arraigo. O arraigo social, por exemplo, é destinado a estrangeiros que vivem continuamente há pelo menos dois anos na Espanha e possuem vínculos sociais ou familiares um prazo reduzido em comparação com as exigências anteriores.
Brasileiros com formação em enfermagem ou experiência no cuidado de idosos encontram um mercado aberto. A nova legislação permite que estudantes estrangeiros trabalhem até 30 horas semanais. Com visto de estudante tipo D para cursos acima de 90 dias, o aluno pode trabalhar até 30 horas semanais sem conflito com os estudos. A autorização de estada para estudos superiores inclui automaticamente o permiso para trabalhar, sem trâmites adicionais. Isso atrai jovens que buscam especialização e precisam de renda para se manter.
A flexibilização das leis é uma resposta direta à falta de jovens europeus para preencher essas vagas. O envelhecimento populacional não é exclusividade europeia, mas o impacto na força de trabalho é imediato. A Espanha percebeu que, sem os imigrantes, a economia trava. Por isso, criou o arraigo de segunda oportunidade para quem perdeu a residência e quer voltar ao sistema legal. É uma porta aberta para quem tem vontade de trabalhar e ajudar a sustentar o sistema de bem-estar social do país.
O processo extraordinário de regularização aberto em abril de 2026, que já recebeu mais de 900 mil candidaturas 87% dos inscritos em idade ativa para o mercado de trabalho e 67% com pelo menos o ensino médio completo é um sinal claro dessa necessidade. Dois em cada três candidatos são da América Central e do Sul, e a comunidade brasileira é uma das mais representadas. Segundo a jurista brasileira especializada em imigração Thais Camargo, que trabalha em Madrid, 90% dos processos que ela geriu são de brasileiros. A regularização, segundo ela, “é uma jogada muito interessante do Governo espanhol”, pois permite que pessoas que já trabalham no país, mas não pagavam todos os impostos, passem a contribuir para a seguridade social.

