Fitonutrientes: o poder das cores no prato vai muito além das calorias
No consultório, uma das perguntas que mais ouço é: “O que realmente faz diferença para emagrecer?” Minha resposta costuma surpreender: mais do que contar calorias, é preciso olhar para a qualidade da alimentação. E é nesse contexto que entram os fitonutrientes, compostos naturais presentes em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, ervas e leguminosas.
Essas substâncias são produzidas pelas plantas para protegê-las das agressões do ambiente. Quando consumimos esses alimentos, também nos beneficiamos dessa proteção. Na obesidade, o organismo convive com um estado de inflamação crônica e maior estresse oxidativo, fatores que favorecem doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Os fitonutrientes ajudam a reduzir esse processo graças à sua ação antioxidante e anti-inflamatória.
Entre os mais conhecidos estão os polifenóis, encontrados nas frutas vermelhas, uva, chá, cacau e azeite de oliva, e os carotenoides, presentes na cenoura, abóbora, manga, mamão e tomate. Além de protegerem as células, contribuem para a saúde cardiovascular, cerebral, imunológica e ocular.
Uma orientação simples que sempre compartilho com meus pacientes é observar as cores do prato. Cada cor representa diferentes compostos bioativos e, consequentemente, diferentes benefícios para o organismo. Um prato colorido costuma ser mais rico em fibras, vitaminas e fitonutrientes, favorecendo a saúde metabólica e o controle do peso.
Também gosto de desmistificar a ideia dos “superalimentos”. Não existe um único alimento capaz de transformar a saúde. O que realmente faz diferença é a soma das escolhas feitas diariamente. Como nutricionista especialista em obesidade, acredito que comer bem é um ato de cuidado, não de punição. Quando priorizamos alimentos naturais e variados, oferecemos ao corpo muito mais do que energia: fornecemos ferramentas para prevenir doenças, responder melhor ao tratamento e envelhecer com mais saúde. Afinal, saúde não se mede apenas na balança; ela começa, literalmente, no prato.
Mariluce Carvalho

