Thaís Rosaf e Filipe D’Amato
Banda Óculos Escuros
Axé com alma de rock no 7.º Dia do Brasil em Braga
No próximo dia 12 de setembro, a banda Óculos Escuros sobe ao palco do 7.º Dia do Brasil, no Parque da Ponte, em Braga, a partir das 22 horas. O projeto, nascido em Portugal por músicos brasileiros, mistura a energia contagiante do axé com a potência do rock. Em conversa com a Revista Olhar Brasileiro em Portugal, a vocalista, compositora e arranjadora Thaís Rosaf e o guitarrista Felipe D’Amato falam sobre trajetórias, o nascimento da banda, o significado do nome e o que o público pode esperar no evento de entrada livre.

Thaís, quem é a Thaís para além da música?
Thaís Rosaf – Alguém que olha para o mundo tentando fazê-lo melhor a partir de mim. Diante daquilo que vivemos hoje, procuro em mim o que posso ser melhor. Todo mundo tem falhas e passa por dificuldades, mas qualquer resultado que eu gostaria de ver começa por mim. Tento fazer o meu melhor em todas as áreas: pessoal, familiar, profissional e artística.
E como começou a sua relação com o canto e a composição?
Thaís – Cantar desde que me entendo por gente. A minha mãe levava-me para os coros da igreja, ensaiava comigo e ensinava-me a fazer segunda voz. Fui desenvolvendo nos coros, fiz solos, sempre de forma voluntária. Conforme cresci, fui experimentando composição de forma autodidata e trabalhei muito com arranjos para os coros que participava. Cheguei a ficar à frente de alguns como maestrina e pude criar arranjos para músicas já conhecidas. Foi muito bacana.
Felipe, de onde surgiu a paixão pela guitarra e pelo rock?
Felipe D’Amato – Começou na adolescência. Eu tinha 12 ou 13 anos e fui ao Rock in Rio de 2001. Via aqueles programas na televisão, aquele monte de gente, e pensava: “Por que está todo mundo ali?” Comecei a interessar-me e a andar com os amigos de escola de cabelo mais comprido e roupa mais preta. Olhei e disse: “Quero andar com esses caras.”
E como um roqueiro acaba no axé?
Felipe – O roqueiro é visto muitas vezes como alguém fechado no seu ritmo, numa tribo isolada. Eu sempre tive uma mente mais aberta. Não queria viver só no mundo dark. Morei dois anos na Bahia e, quando cheguei ao Pelourinho e vi o Olodum ao vivo, foi diferente de ver na televisão. Quando o tambor começa a bater, o ombro mexe. Não tem como ficar parado. É impossível não gostar.
Como nasceu a banda Óculos Escuros?
Felipe – Nós nos conhecemos na mesma igreja e frequentávamos a comunidade de música. O nosso diretor e percussionista, Clédson Raposo, tinha a ideia de fazer algo diferente e trazer aquela alegria. Ele me convidou primeiro, em 2021. Eu pensei: “Ele nunca vai querer fazer uma banda de rock comigo.” Quando falou em axé, respondi que até gostava de ouvir, mas tocar? Começámos a conversar, veio a esposa dele, a Kétia, depois a Thaís, o marido dela na parte técnica, e o projeto foi crescendo. Somos cerca de nove ou dez integrantes, do Brasil inteiro, de norte a sul e de leste a oeste, com ritmos muito diferentes.
Thaís – Uma grande família. Tudo o que é música que entra aqui vale: Disney, MPB, rock, pop, pagode… Tocou, entrou e ficou.
E o nome Óculos Escuros? De onde veio?
Felipe – Foi proposta do Clédson. No início não tínhamos nome. Quando ele disse “Óculos Escuros”, olhámos e perguntámos: “Que nome diferente é esse?” Depois explicou: o rico usa óculos escuros, o pobre usa, homem, mulher, todas as idades e géneros. É comum a todo o mundo. Queremos levar uma mensagem de felicidade para todas as pessoas.
Thaís – É um símbolo de autoestima, de personalidade e de bem-estar. Quando colocamos o óculos escuro no sol, temos até mais. Filtra tudo o que é ruim. Estamos lá para isso.
Como foi a decisão de se unirem em torno do axé, especialmente com a presença do rock?
Felipe – Primeiro pela amizade. Somos muito companheiros e conseguimos ouvir-nos bem. Nos ensaios eles dizem: “Tá muito rock, tá muito distorcido.” Eu respondo: “Só mais um pouquinho.” O rock é mais amplo do que muita gente pensa. Tem o sentimento de liberdade que quis levar para o axé. Levamos felicidade e alegria, mas também diversão e a liberdade de mostrar quem se é.
Thaís – Conversámos muito sobre o nosso estilo. A proposta é reunir gostos e fazer um axé acessível a todos, em que as pessoas se identifiquem em algum momento. Uma harmonia mais trabalhada, um toque diferente, uma surpresa no meio da música. Faz parte da evolução do próprio axé.
O que o axé representa para vocês?
Thaís – É o ritmo que contagia, que faz sair do zero para o cem. Faz-nos repensar num momento de tristeza e lembrar que ainda podemos ser felizes, se nos permitirmos. É impossível ser triste ouvindo axé. Pode estar a passar qualquer coisa, no mínimo a pessoa mexe-se. É um “pré-treino saudável”: quando se precisa de um up, axé.
O axé nasceu no Brasil na década de 1980, a partir de uma mistura de ritmos de origem africana. Passou por evoluções e trouxe aquele toque que bate no coração e faz mexer. A proposta desde o início é trazer movimento às pessoas.
Que músicas representam melhor a banda?
Thaís – Para começar com bom axé, “Corre”, uma das nossas autorais. Coloca todo mundo para cima e lembra o dia a dia que não é fácil para ninguém. A vida corre e a gente com ela. O lance é correr para cima e não deixar ficar para baixo.
Também temos “Gratidão” e “Bela Fada”, que já está no Spotify. “Bela Fada” baixa um pouco a velocidade e conta uma história de transformação. No show vamos misturar as autorais com músicas que mexem com a memória: Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Chiclete com Banana, Netinho, Asa de Águia… Aquelas hits que fazem a gente lembrar de um dia especial e matar um pouco a saudade.
Como tem sido a receção do público português?
Felipe – Já fizemos alguns shows, incluindo o Beer Fest e um evento em Guimarães. A receção foi calorosa. As pessoas vieram para a beira do palco. É uma sensação diferente quando saltam com as nossas músicas. Estamos a finalizar um álbum com nove ou dez autorais e preferimos concentrar-nos na qualidade antes de mostrar mais.
O que o público pode esperar no Dia do Brasil?
Felipe – Muitas surpresas, músicas conhecidas e as nossas autorais. Tenho a certeza de que pelo menos uma ou duas vão tocar o coração das pessoas. Queremos alegria, um mundo mais feliz, mais colorido e cheio de união. A proposta do evento é unir a comunidade brasileira e chamar outras comunidades para partilhar dessa alegria. Vamos entregar o melhor possível.
Que mensagem deixam aos leitores?
Felipe – Sejam felizes. Nunca se esqueçam de que a música é algo universal. Eu gosto de pensar que a música não foi inventada, foi descoberta. Já está dentro de nós. Que a gente deixe a música fluir e que ela seja a trilha sonora dos nossos momentos felizes.
Thaís – A música pode trazer o lado bom e o lado ruim. Qual lado queremos que predomine na nossa vida? Podemos escolher o que ouvimos e trazer músicas que nos façam pessoas melhores e contribuam para um mundo melhor. A boa música é aquilo que realmente toca e transpassa o coração de uma maneira que nenhuma palavra consegue.
A banda Óculos Escuros apresenta-se no 7.º Dia do Brasil em Braga, dia 12 de setembro, a partir das 22 horas, no Parque da Ponte (entrada livre). Acompanhe-os no Instagram @oculosescuros e ouça “Bela Fada” no Spotify.
Para escutar a entrevista integral do programa “Olhar de Lá e de Cá”, da Rádio ROM 97,5 FM, aceda a:
www.radio.olharbrasileiro.pt/oculosescuros/

