O professor que nunca esquecemos… quase sempre tem uma voz inesquecível
Feche os olhos por um instante e pense num professor que marcou a sua vida. Talvez não se recorde de todas as matérias que ensinava, mas é muito provável que ainda se lembre da sua voz.
Havia a voz que transmitia calma, a que despertava entusiasmo, a que fazia uma pausa no momento certo para prender a atenção da turma. E havia também a voz monótona, acelerada ou constantemente elevada, que tornava a aprendizagem mais difícil.
Isto não é apenas uma impressão. A ciência mostra que a voz influencia a atenção, a compreensão da mensagem e o envolvimento dos alunos. Ritmo, pausas, intensidade, entoação e articulação são elementos fundamentais da comunicação em sala de aula. Estudos coordenados por Léslie Piccolotto Ferreira demonstram que os alunos tendem a perceber como mais credíveis e motivadores os professores que utilizam uma voz clara, expressiva e bem articulada.
Mara Behlau, uma das maiores especialistas mundiais em voz, lembra que o professor é um verdadeiro profissional da voz. Mais do que um recurso natural, a voz é um instrumento de trabalho que pode e deve ser treinado, preservado e utilizado de forma eficiente.
Talvez o melhor professor não seja o que fala mais alto, nem o que fala mais tempo. Talvez seja aquele que comunica com intenção, alterna o ritmo, valoriza o silêncio e permite que a voz acompanhe a emoção do que ensina.
No início de um novo ano letivo, vale a reflexão: estamos apenas a transmitir conteúdos ou também a comunicar de forma a inspirar, motivar e criar ligações?
Porque a voz do professor não transporta apenas palavras. Transporta confiança, entusiasmo e conhecimento. E é, muitas vezes, essa voz que permanece na memória dos alunos muito depois da última aula.
Daniela Galvão
Fonoaudióloga

