Antes do diabetes, vem o aviso: resistência à insulina
Antes da glicose subir, antes da hemoglobina glicada assustar, antes do paciente precisar de múltiplas medicações… o corpo já vinha há anos dando sinais claros de que algo não estava bem.
E quase sempre esse algo envolve o mesmo protagonista: a resistência à insulina.
A insulina é um hormônio essencial, responsável por ajudar a glicose a entrar nas células e ser usada como energia. Mas, ao longo do tempo — especialmente com hábitos como alimentação desregulada, excesso de açúcar, sedentarismo e stress — o corpo pode começar a “ignorar” esse sinal. É como se a chave (insulina) já não abrisse bem a porta (as células).
Para compensar, o organismo produz cada vez mais insulina. E é aí que começa um processo silencioso, que pode durar anos sem ser identificado em exames básicos.
Durante esse período, surgem sinais que muitas vezes passam despercebidos: cansaço frequente, dificuldade em perder peso, aumento da gordura abdominal, fome constante e sonolência após as refeições.
Mesmo assim, a glicose pode permanecer normal por bastante tempo. Só mais tarde aparecem alterações mais evidentes, como pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
Por isso, a resistência à insulina não é o fim — é o começo da cascata.
A boa notícia é que essa fase é reversível. Pequenas mudanças já fazem diferença: organizar melhor as refeições, reduzir o consumo de açúcar e ultraprocessados, incluir mais proteína e fibra, movimentar o corpo diariamente e cuidar do sono.
Não se trata de perfeição, mas de consistência.
Identificar e agir cedo é uma oportunidade valiosa para recuperar o equilíbrio do organismo e evitar problemas maiores no futuro.
O corpo avisa. A questão é: estamos a ouvir?
Mariluce de Carvalho
Nutricionista Clínica
Especialização Obesidade
MSc Oncologia
OP: 5708N

