Cancro do estômago em Portugal: devemos estar atentos?
Portugal continua a apresentar uma incidência relevante de cancro do estômago quando comparado com outros países da Europa Ocidental. Embora não seja o tipo de cancro mais frequente, os números chamam a atenção e merecem reflexão.
Parte dessa realidade pode estar relacionada com fatores culturais e hábitos de vida ainda presentes na nossa população. O consumo regular de enchidos, fumados e carnes processadas é tradicional em várias regiões do país. A Organização Mundial da Saúde classifica as carnes processadas como carcinogénicas, ou seja, associadas ao aumento do risco de cancro. Além disso, alimentos muito salgados podem agredir a mucosa do estômago ao longo do tempo.
Outro fator importante é o tabagismo, que ainda apresenta prevalência significativa. O tabaco contribui para inflamação crónica e potencia os efeitos nocivos de outras substâncias presentes na alimentação.
Mas há ainda um elemento muitas vezes negligenciado: a infeção pela bactéria Helicobacter pylori. Esta bactéria é bastante comum, sobretudo nas gerações mais velhas, e pode permanecer silenciosa durante anos. Em alguns casos, o paciente ouve que deve apenas “conviver” com ela. No entanto, sabemos hoje que a infeção crónica está associada a gastrite, alterações da mucosa gástrica e aumento do risco de cancro.
A boa notícia é que o risco não depende de um único fator, mas sim da combinação deles — e muitos são modificáveis. Reduzir o consumo de carnes processadas, moderar o sal, abandonar o tabaco e avaliar adequadamente a presença de H. pylori são medidas que fazem diferença.
Prevenção não é alarmismo. É informação. E informação permite escolhas mais conscientes para proteger a saúde a longo prazo.
Mariluce de Carvalho
Nutricionista Clínica
Especialização Obesidade
MSc Oncologia
OP: 5708N

