Brasileiros lideram contribuições de estrangeiros a Segurança Social

Brasileiros lideram contribuições de estrangeiros a Segurança Social

Com 409 mil contribuintes e 1,47 bilhão de euros aportados em 2025, a comunidade brasileira e o maior grupo estrangeiro num sistema que registou saldo líquido positivo de 3,3 bilhões de euros só naquele ano

Por Viviane Oliveira António | Portugal, junho de 2026

Os números são oficiais e foram apresentados pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social em fevereiro de 2026. Entre 2015 e 2025, os brasileiros em Portugal passaram de 45.530 para 409.562 contribuintes ativos no sistema. Em termos financeiros, as suas contribuições subiram 16,5 vezes no mesmo período: de 89,7 milhões para 1,47 bilhão de euros. Em dez anos, a comunidade brasileira aportou 6,07 bilhões de euros para a Segurança Social portuguesa, segundo dados do Ministério do Trabalho divulgados ao Público Brasil em fevereiro de 2026.                    

Os dados fazem parte de um dashboard público e interativo lançado pelo Ministério do Trabalho em 20 de fevereiro de 2026, atualizado mensalmente com informações sobre contribuições e prestações sociais de imigrantes. A iniciativa foi apresentada pela secretaria de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, como resposta aos constantes pedidos de jornalistas e ao crescente volume de desinformação sobre o tema.

409.562 Brasileiros contribuintes em 20251,47 Bi€ Contribuições brasileiras em 202514% Peso dos estrangeiros no total3,3 Bi€ Saldo líquido positivo só em 2025

Fontes: Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (fev. 2026); Público Brasil (20 fev. 2026); Observatório das Migrações, relatório 2015-2025 (mar. 2026); Conselho de Finanças Publicas, relatório orçamental SS 2025 (mai. 2026).

O que os dados oficiais mostram

O relatório do Observatório das Migrações, publicado em marco de 2026, mostra que o crescimento não foi linear ao longo de uma década. Aconteceu sobretudo a partir de 2022, quando o governo abriu a regularização via títulos de residência da CPLP. Nesse período, as contribuições dos brasileiros saltaram de 682 milhões para 1,04 bilhão de euros em apenas um ano.

Em termos globais, o número de estrangeiros contribuintes passou de 204.150 para 1.115.541 entre 2015 e 2025, crescimento de 447%. As contribuições subiram ainda mais, 763%, de 481 milhões para 4,15 bilhões de euros. Segundo o Observatório das Migrações, esse crescimento evidencia não apenas um efeito de escala demográfica, mas também um reforço da intensidade contributiva media.

Em dezembro de 2025, 840 mil estrangeiros fizeram descontos sobre os seus rendimentos, o equivalente a 17,6% do total de pessoas com contribuições pagas naquele mês. Em 2015, esse peso era de 4,5%, segundo dados da Segurança Social divulgados pelo ECO em fevereiro de 2026.

EVOLUCAO DAS CONTRIBUICOES DE ESTRANGEIROS (2015-2025)
Contribuintes 2015204.150
Contribuintes 20251.115.541 (crescimento de 447%)
Contribuições 2015481 milhões de euros
Contribuições 20254,15 bilhões de euros (crescimento de 763%)
Prestações pagas 2025822 milhões de euros
Saldo líquido 20253,33 bilhões de euros
Saldo acumulado 10 anos16,3 bilhões de euros (CFP, mai. 2026)
Peso estrangeiros contr.17,6% dos contribuintes em dez. 2025
Peso nas contribuições14% do total das contribuições em 2025

Fontes: Observatório das Migrações (mar. 2026); CFP (mai. 2026); Ministério do Trabalho (fev. 2026); ECO (fev. 2026); Observador (mar. 2026).

O perfil dos contribuintes brasileiros

Dos 409.562 brasileiros que contribuíram para a Segurança Social em 2025, 51,63% são homens e 48,37% são mulheres. O dado mais relevante para a sustentabilidade do sistema e o perfil etário: 59,89% tem entre 20 e 39 anos. Se somados os menores de 20 anos, esse grupo chega a 75,12% do total. São trabalhadores jovens, que tendem a contribuir por muitos anos antes de aceder a qualquer prestação diferida, segundo a secretaria de Estado Filipa Lima.

Os setores com maior concentração de trabalhadores estrangeiros são o alojamento e restauração, as atividades administrativas e a construção, segundo dados do ECO com base na Segurança Social. Na agricultura, os trabalhadores estrangeiros já representam mais de 40% do total.

“A maior surpresa e este incremento não ter sido feito ao longo de dez anos, mas sobretudo nos últimos anos, graças a pressão dos mecanismos de regularização, que estavam dependentes dos descontos para a Segurança Social.”

— Pedro Gois, diretor científico do Observatório das Migrações (Lusa, mar. 2026)

 

O saldo e o que o CFP alerta

O Conselho de Finanças Publicas calculou que o saldo líquido acumulado dos estrangeiros entre 2015 e 2025, diferença entre contribuições e prestações recebidas, chega a 16,3 bilhões de euros. Só em 2025, as contribuições de estrangeiros superaram as prestações recebidas em 3,33 bilhões de euros.

O CFP alerta, porem, que essa sustentabilidade não e garantida no longo prazo. A medida que os trabalhadores estrangeiros acumulam anos de carreira, as prestações diferidas, sobretudo pensões de velhice, tendem a crescer. O organismo aponta a integração efetiva dos imigrantes como condição para que o equilíbrio atual se mantenha.

 A secretaria de Estado Filipa Lima alertou que não e correto afirmar um saldo líquido positivo global, pois não existe desagregação completa de todas as rubricas de receita e despesa por nacionalidade. Os números disponíveis referem-se ao regime contributivo. O dashboard completo esta disponível em seg-social.pt.

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