A Presença Masculina no Relacionamento

A Presença Masculina no Relacionamento

No último mês presenciamos uma cena surpreendente em plena noite pomposa do Oscar em Hollywood. O ator célebre Will Smith tapeou outro ator o Chris Rock, após este ofender sua esposa Jada Smith, com uma piada sobre sua alopecia. Este episódio foi amplamente comentado por todo o mundo, entre julgamentos, comentários e até aplausos, esta fatídica cena, se é mesmo que foi real, trouxe para os holofotes a temática quanto a defesa da honra da esposa, a questão em foco é: o marido deve defender a honra de sua esposa?

De início, parecia que Will Smith até achou cômica a piada (des)pretensiosa do colega de profissão. Todavia, em seguida de forma abrupta, cruzou o palco do Oscar e feriu fisicamente o colega. Mais tarde, após receber o grande prêmio da noite, o ator comoveu a todos com seu discurso, justificando sua atitude por amor à esposa, expondo a público o casamento aberto. Sem perceber, encontramo-nos em um dilema, entre a defesa da honra e uma ação violenta, será que os fins justificariam os meios? Há de se imaginar que Will agiu por impulso, apenas reagiu a raiva com o uso da força física. É verdade que existe um fenômeno comum: pessoas inseguras tendem a ser mais violentas, dado que, elas já partem de um lugar em que não conseguem se sentir confortáveis consigo mesmas e sua própria vida, se sentem indefesas, e muitas das vezes já se relacionam com as pessoas na defensiva. Isto porque, temem, no fundo, perder o único alicerce que lhes parece seguro, a autoimagem, por exemplo. Estamos então, diante de uma ação de descontrole? O caminho de tentar perceber os limites deste ato, é mais complexo do que se possa parecer, fenómeno constatado pelos aplausos da plateia. Mas, por que parece ser digna tal atitude, mesmo sendo uma violência física desnecessária?

A resposta parece estar na dimensão simbólica do homem, e mais ainda, no que se espera da postura de um marido. O homem simbolicamente, corresponde à força, valentia, coragem, virilidade, proteção e zelo por aqueles que são de sua responsabilidade. O homem desde a antiguidade é chamado a dar sua vida se preciso for pelos seus. Entre guerreiros que disputavam por donzelas, entre homens que batalham na guerra pelo seu Estado e família, até chegar nos homens que abrem a porta do carro, ou provam o vinho primeiro. Chegamos em pleno século XXI com a disseminação da ideologia feminista, em que se defende a total igualdade de gênero, isto é, o nivelamento do homem e da mulher, em um empoderamento feminino que luta contra a ideia de um “sexo frágil”. Essa profunda ideia de não precisar dos homens e esse individualismo feminino até mesmo dentro das relações afetivas, diante de tantas mulheres aplaudindo a “valentia” do ator, colocaria então, toda essa ideologia em cheque? A realidade mostra a falha de um desejo de subtração da presença masculina, que no limite, é não apenas necessária, mas também complementar e digna.

Não se trata de valorizar uma agressão física, mas sim de perceber o quanto “pareceu” digno um homem defender a honra de sua esposa, se é que foi mesmo necessário defender a honra de Jada. Mas que honra ele defendeu, diante de um casamento aberto? Sem mais detalhes quanto a isso, voltamos à atitude do ator. Will não correu risco de vida, mas colocou sua carreira em risco. Mas por que então, em uma sociedade atual tão feminista, não se achou absurda a ação de um homem defender sua mulher, se ela é tão capaz quanto, tão forte quanto, tão corajosa quanto? Acontece que essa tentativa de supressão da postura masculina na relação amorosa demonstrou ser frágil e não correspondente ao que se espera de um esposo, ao que realmente o esposo é chamado dentro da sua família.

Portanto, a presença masculina no relacionamento e na família parece representar a possibilidade do homem de expandir para além de si mesmo, a sua força e valentia, para proteger e cuidar daqueles que são de sua responsabilidade. Sendo assim, o cultivo a todo custo do discurso: “eu não preciso de um homem para me defender”, demonstra ser ilusório, dessa forma as singularidades masculinas e femininas são essenciais estarem presentes no relacionamento por sua complementaridade.

Luiza Orlandi
Psicóloga Clínica
@luizaorlandi.psi

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