As Linguagens do Amor

As Linguagens do Amor

Ah, o AMOR…
Eu, pessoalmente, sempre achei que a linguagem do amor era a maneira mais universal e nobre de se comunicar e viver.
Essa era minha ingênua teoria, antes de imigrar para a Europa:
“Se eu não falo o idioma, a linguagem do AMOR irá me salvar!”
Entretanto, a coisa mais difícil de definir é o amor. Como é complexo perceber o amor das pessoas à nossa volta, encontrar a maneira mais adequada para podermos expressar esse sentimento de tamanha intensidade, e que nos faz tão bem.
Será que realmente existe apenas um amor que nos une, independente do lugar do mundo que estamos? Será que ele é mesmo uma linguagem universal?
Lembro exatamente do grande choque de realidade que levei, quando cheguei pela primeira vez na Alemanha, há 11 anos atrás. Descobri que além da minha linguagem mãe, verbal, ser inútil, as minhas linguagens do amor eram completamente inadequadas.
Estava completamente perdida, pois ao falar palavras amorosas, ou elogios como:
“Meu amor, meu anjo, meu doce, minha querida”, eram totalmente mal interpretados por quem ouvia. O toque físico frequente nas pessoas, mostrando atenção, cuidado, aproximação, além dos abraços e beijos excessivos, eram totalmente inapropriados e recebidos com espanto, ou resistência. Uma verdadeira invasão do espaço vital desses indivíduos!!!
Achei que ia morrer, matar, ou desistir. Pensei: Que pessoas frias, ninguém aqui sabe o que é o amor? Se não existe afetividade nesse lugar, eu não quero estar aqui!
Como todo processo de adaptação, fui resistente, crítica, querendo impor uma percepção unilateral de amor e de se relacionar.
No entanto, para minha surpresa, com o tempo fui recebendo pequenas demonstrações de afeto dos meus vizinhos. Todos me levavam constantemente comidas caseiras, frutas das suas árvores, além de convites para caminhadas e um interesse sincero pela minha história. Todas as vezes que tive um problema, as pessoas se ofereciam para me ajudar de maneira totalmente altruísta. E os problemas, acreditem, eram muitos!!! Morar em um país, onde você não domina o idioma, é como chegar cego em um campo minado! Após tantas demonstrações me perguntava: “O que está acontecendo? Elas gostam de mim?”
Naquela época, fui presenteada com o livro do autor, Gary Chapman, “As cinco linguagens do amor”, que me pareceu uma “tábua de salvação”. Agradeci cada palavra que lia e anotava em um caderninho, a partir dali, cada nova linguagem do AMOR, que percebia a minha volta. Todas completamente novas e diferentes da minha antiga e única percepção de amor.
Descreverei para vocês começando pelas que eu estava familiarizada.

As 5 linguagens do amor, segundo o autor são:

Palavras de afirmação:

Essas tais palavras são sentenças expressas em elogios e incentivos como : “Você é ótimo! Vai dar tudo certo”.
Para minha crença pessoal, o poder que as palavras têm sobre nossas ações é verdadeiramente importante. Da mesma forma que elas podem nos motivar, elas podem ser totalmente tóxicas, criando crenças limitantes. Nossas palavras podem salvar e destruir.

Toque físico:

Beijos, abraços, toques com a mão, as relações sexuais, toque suaves pelo corpo, mãos dadas, entre outros gestos, representam essa linguagem do amor. Através do toque o corpo libera o hormônio ocitocina, que gera bem estar e acalma.
Uma das cenas mais emocionantes que assistimos nesta pandemia, foram os abraços depois de tanto tempo sem nos tocarmos. Foram criadas em diferentes países, roupas, cortinas, proteções para o tão sonhado contato físico.
Muitas pessoas só percebem o amor dessa maneira, através do contato físico.
Em alguns países europeus, existe um trabalho voluntário para dar a mão a pessoas solitárias na hora da morte nos hospitais, que prova a importância desse contato. No entanto, uma das grandes lições que aprendi é: esse contato só é percebido como amor, quando existe uma abertura e uma conexão que permita essa aproximação, caso contrário,
corre-se o risco de invadir o espaço da pessoa e dela acabar se sentindo totalmente desrespeitada, ou confundir as suas verdadeiras intenções!

Qualidade de tempo:

Uma das mais difíceis de encontrar na minha opinião. Nossa atenção plena, com tantas distrações, é algo muito raro hoje em dia.
A dedicação de um tempo exclusivo, ainda que pequeno, aqueles que você mais ama e deseja ter por perto. As expressões ou dialetos podem ser: conversas de qualidade, passeios, qualquer atividade onde estamos dedicando nosso tempo a quem amamos.

Presentes:

Muitas pessoas desvalorizam, ou supervalorizam essa linguagem. Acredito que o que menos importa é o valor financeiro do presente, mas sim a dedicação, a referência, as entrelinhas detrás do presente… O amor pode ser expressado por meio de uma maçã ou uma joia, por exemplo. Um símbolo material que eterniza esse amor.

Gestos de serviço:

Honestamente essa é a grande linguagem que eu pude perceber, nos diferentes países que vivi na Europa. É incrível como essa sociedade pensa no bem comum, como eles se preocupam em servir, ajudar, cooperar.
Isso foi um grande exemplo e aprendizado. Cuidar do bem comum.
As ações são um grande símbolo e uma linguagem de amor genuína.
O que você faz, conta mais do que qualquer palavra. Podem ser coisas bem simples como: lavar a louça, consertar a fechadura, levar o lixo para fora… entre outros atos de serviço. Os quais demonstram à pessoa o quão importante ela é para você, e principalmente, que você faz de tudo para vê-la feliz e realizada.
Eu observei que além dessas cinco linguagens do livro, há outras maneiras que também podem ser percebidas, e anotei no meu caderninho algumas! Arrisco-me abaixo citando-as para vocês.
O olhar: É incrível como os olhos dizem muito a nosso respeito, quando olhamos alguém podemos dizer claramente as nossas emoções.
Comemorar as vitórias: Taí uma maneira de saber que alguém te ama, se a sua felicidade, faz alguém feliz, acredite, ele te ama.
Tolerar nossos defeitos, etc…
A grande conclusão, para mim foi que não existe uma maneira única e definitiva de perceber e expressar o amor. Precisamos diariamente entender como nós nos sentimos amados e assim comunicar as pessoas as nossas necessidades. É importante ainda, estarmos atentos às necessidades do outro para podermos expressar a nossa afetividade de maneira assertiva e recíproca.
Acredito eu, que o mais importante é a nossa verdadeira intenção e o bem estar que sentimos ao AMAR e sermos amados.

Amazona
Terapia Gestalt y Coaching
Master en Psicología Holística
Master en Inteligencia emocional

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